Cabo Wilson Morais, presidente da ACSPMESP, foi entrevistado hoje no Bom dia Brasil, da TV Globo

 

 

23/04/2014 09h14 – Atualizado em 23/04/2014 09h14

PM quer terceirizar 190 para aumentar policiamento nas ruas de São Paulo

Serviço telefônico recebe 150 mil ligações diariamente em todo o estado. Porta-voz da PM diz que licitação será feita ainda em abril.

O atendimento telefônico da polícia de São Paulo vai deixar de ser feito por policiais. O governo quer terceirizar o serviço para aumentar o número de policiais nas ruas.

A preocupação agora é com a qualidade do atendimento de emergência, porque os policiais são treinados, conhecem detalhes da cidade e de situações de emergência. Em muitos os casos, pelo telefone mesmo, eles salvaram vidas, principalmente de bebês engasgados. A pergunta é se os novos atendentes vão manter esse padrão.

O 190 da PM recebe 150 mil ligações por dia no estado de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin anunciou que vai terceirizar o serviço e substituir os PMs que atendem às chamadas por pessoas que não são policiais. Assim, o governo acredita que mil policiais militares vão para as ruas fazer o patrulhamento.

O porta-voz da PM diz que será feita uma licitação ainda este mês para a contratação de uma empresa. “Acredito que sejam empresas especializadas em call center. Se tiver bem capacitada, terá o mesmo padrão de atendimento que existe em protocolos. E esse protocolo será cumprido de igual forma. Foram cumpridos pelos policiais, serão cumpridos por esses civis que chegarão aqui”, aponta o tenente-coronel Mauro Lopes, porta-voz da PM de São Paulo.

A Polícia Militar vai dar um treinamento de três semanas para as pessoas que forem trabalhar no 190. Depois, elas ainda terão 15 dias de testes e avaliações, para só então começarem a atender os telefonemas.

A substituição vai começar pela cidade de São Paulo e a PM espera que seja feita ainda este ano. O assunto gera discussão.

A especialista em segurança Nancy Cardia, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, defende a mudança, que já ocorreu em outros estados. Em Minas, os funcionários públicos concursados fazem o atendimento desde 2004. Na região metropolitana do Recife, o serviço foi terceirizado há sete anos, mas a PM continua fazendo o atendimento, no interior de Pernambuco.

“Não é um problema técnico capacitar pessoas para esse tipo de trabalho, mas é um problema você selecionar, treinar e manter uma força policial”, destaca Nancy Cardia.

Mas a Associação dos Cabos e Soldados da PM paulista diz que faltam hoje 12 mil PMs no estado e que deveriam ser feitas contratações em vez de tirar os PMs do 190.

O presidente da associação afirma que, se a mudança for feita, 500 policiais vão passar a trabalhar nas ruas, e não mil, como diz o governo. “A população vai perder, perder e muito, você está tirando um policial qualificado para colocar alguém que vai aprender e nunca vai aprender igual o policial”, diz o cabo Wilson Morais.

Em Fortaleza, os atendentes do 190 também são terceirizados.

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