Repúdio à morte do PM Wesley Soares Góes, da Bahia

A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (ACSPMESP) vem a público repudiar a conduta do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar da Bahia (PMBA) no caso do policial militar Wesley Soares Góes, lotado na 72ª Companhia Independente de Polícia Militar (72ª CIPM) de Itacaré que, no domingo (28/03), foi até o Farol da Barra, em Salvador, e passou a efetuar disparos para o alto, apresentando surtos psicóticos. Os procedimentos adotados pela equipe do BOPE na tentativa de conter a ação do PM foram violentos, sem escrúpulos e, infelizmente, causou a morte desnecessária do policial.

Em um cenário tão caótico que estamos vivendo devido à pandemia, sistemas ditatoriais partindo dos estados, que estão sendo criados na tentativa de conter a propagação do vírus, estão pressionando os policiais a acatarem medidas que vão contra os direitos e dignidade dos cidadãos, que estão sendo impedidos de trabalhar e que comprometem também o direito constitucional de ir e vir de cada um, muito necessário neste momento para prover o sustento das famílias.

Acatar atos normativos contrários à liberdade e legalidade constitucional podem acarretar situações adversas aos policiais, que serão os primeiros a serem chamados à responsabilidade, mesmo que estejam cumprindo ordens superiores de autoridades; autoridades estas que no final irão se eximir de quaisquer responsabilidades dos atos cometidos pelos agentes. E é por esta e outras situações que fica o alerta a todos os policiais e bombeiros militares que estão em combate, advertidas em aviso da Associação Nacional das Entidades Representativas de PMs e BMs e pensionistas do Brasil (ANERMB), divulgada recentemente.

Um dos princípios fundamentais das polícias militares são a aplicação da lei e preservação de vidas. Em qualquer atuação, a vida humana deve ser primordialmente preservada, a qualquer custo, com a aplicação de técnicas e protocolos específicos de negociação e proteção das pessoas. No caso, se houve iniciativa do PM a atirar primeiro contra a equipe do BOPE, por que não adotaram esses protocolos para impedir que ele continuasse o confronto, com a atuação de um atirador de elite para somente incapacitar o atirador e depois ser preso? Por que mataram? Houve um erro de protocolo ou erro no comando da ação? Policiais só cumprem ordens! De quem partiu a ordem? Com qual propósito? O policial estava nitidamente alterado psicologicamente. Era mais uma vítima da pressão vinda de sua profissão. Precisava de tratamento, não de ser silenciado!

A ACSPMESP, maior entidade da classe policial militar do país, que representa mais de 50 mil associados e suas famílias, lamenta e repudia a ação deplorável ocorrida com o PM Wesley Góes e protesta por esclarecimentos e dura condenação dos reais culpados pela ação desastrosa que culminou com a morte de um policial militar.

Nos solidarizamos com a família do policial militar Wesley Soares Góes e apoiamos as manifestações das entidades representativas da classe da Bahia, para apuração da ação dos policiais das equipes do BOPE que atuaram neste trágico episódio.

Que os reais culpados sejam condenados!

Wilson de Oliveira Morais – Cabo PM
– Presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (ACSPMESP)
– Deputado estadual na 14ª legislatura (1999 a 2003) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP)
– Presidente do Conselho Deliberativo da Associação Nacional das Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares e Pensionistas do Brasil (ANERMB)
– Presidente do Conselho Fiscal da Federação das Entidades Representativas dos Militares do Estado de São Paulo (FERMESP)

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